HEMINGWAY HOTEL

Menos o improvável silêncio na caixinha de jóias do mundo que as galerias que se ignoram, pulsando, lodosas, num teleférico de musgos. Menos o cérebro que suas trilhas secretas para algum pensamento selvagem, inútil. Menos os labirintos que se condensam que o congestionamento de raízes que os confunde. A gafieira de troncos na gengiva dos passos que os latidos soterrados no comércio de tudo. O cipreste onde os bêbados mijam que o bombril na antena do radinho portátil do pipoqueiro gente fina – O enxadrista e o moleque que balança o tabuleiro desfazendo o jogo do irmão mais velho por pura arte – Menos o parque contornado por um levante de coopers que o indescritível prazer do meu vizinho com câncer fumando um cigarro escondido dos filhos. Menos o texto que seus pontos turísticos. A melancolia, esta espécie de amor covarde – de sol que se abre, quietinho, dentro do peito – que a coloração diferente do terreno onde se ergueu o circo que acabou de deixar a cidade. Marcelo Montenegro
Poema do blog: http://marcelomontenegro.blog.uol.com.br/ Desenho do blog: http://estudandosampa.zip.net/
Escrito por Paulo Stocker às 14h57
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Escrito por Paulo Stocker às 10h32
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Escrito por Paulo Stocker às 09h38
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